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Tratamento à base de sal deixa a água da piscina mais pura

Jogar sal de cozinha na piscina. A idéia pode parecer estranha, mas já virou uma prática comum em academias, como a Bio Ritmo (zona sudoeste de São Paulo), e em clubes, como o Esporte Clube Pinheiros (zona sudoeste) e o Banespa (zona sul da cidade).

O sal é parte de um sistema diferente de tratamento de piscina, que utiliza um gerador de cloro. O equipamento fica no encanamento e trabalha fazendo eletrólise (processo químico de transformação) na solução de água e sal, gerando cloro.

O nível de concentração do cloro na água é mantido entre 1 ppm e 3 ppm (partes por milhão), o mesmo índice obtido no tratamento convencional.
A vantagem fica por conta da qualidade do cloro (é mais puro, já que é "fabricado" constantemente, ao contrário do método tradicional, em que ficam resíduos) e da praticidade (não é necessário comprar e transportar o produto constantemente) – confira o preço da instalação desse sistema na reportagem abaixo.

Sem irritação
Almir Marchetti, coordenador de natação da academia Bio Ritmo do Morumbi, que adotou o sistema há cerca de um mês, acredita que, com esse método, a água fique menos "agressiva" aos usuários que a tratada no sistema tradicional. "Como a água fica com melhor qualidade, os olhos e a pele ficam menos irritados."

A professora Maria Encarnación Vázquez Suárez Iha, do Departamento de Química Fundamental da USP (Universidade de São Paulo), confirma a teoria.
"Se o gerador consegue controlar a produção de cloro em uma faixa constante, a água será menos agressiva aos usuários."

O médico imunologista Willy Sarti, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, afirma que quem sofre de problemas respiratórios e faz natação sai ganhando com esse novo processo.

"O exercício até ajuda na saúde dessas pessoas, mas, para elas, o problema é o cloro. A vantagem é ter um equipamento que mantém constante o nível correto de cloro, minimizando as reações e crises das doenças desencadeadas pela irritação das mucosas", diz.

Desconfiança
O triatleta Fábio Silveira, dono da Kainágua Academia, na Vila Andrade (zona sudoeste de São Paulo), não acreditava na eficiência do sistema, até comprar uma outra academia, que já tinha o equipamento instalado.

Depois que passou a treinar diariamente na piscina com gerador, ficou surpreso com o resultado. "Não tem comparação", diz Silveira, que sofre de rinite e tinha crises nas piscinas com tratamento tradicional. "Me sentia mal assim que entrava na piscina. Agora, não tenho mais problemas."

Gerador tem manutenção fácil

Ter um gerador de cloro na piscina custa a partir de R$ 1.500, preço médio do equipamento adequado para piscinas de até 60 m3 (o equivalente a uma piscina com medidas de 5 m x 8 m x 1,5 m ou 6 m x 12 m x 1m).

Apesar de ser um investimento inicial caro, é preciso considerar que o dinheiro que anteriormente era gasto na compra de produtos para a piscina será poupado: cerca de R$ 50, entre cloro, algicidas e decantadores, que também são dispensados pelo uso do gerador.

Funcionando com energia elétrica, o aparelho consome, de acordo com Lucimara Miyuki Ito, da Genco Química, o equivalente a uma lâmpada de 120 volts.

O gerador deve ficar ligado de quatro a seis horas por dia no verão, caso a piscina esteja estabilizada. Isso pode ser feito com um produto específico, o estabilizador de cloro, vendido em lojas especializadas.

A manutenção do equipamento é bastante simples. De acordo com Carlos Rodriguez, da Delta Vinil Piscinas (representante exclusiva no Brasil do Just-chlor, gerador importado da África do Sul), basta realizar uma limpeza nos eletrodos que compõem o equipamento a cada cinco meses.

Pode-se optar também pelo gerador autolimpante, que inverte a polaridade dos eletrodos automaticamente, tornando a limpeza desnecessária.

Folha de São Paulo, 25 de junho de 2000

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